Argumentações sobre brincar ou não brincar de Halloween. Crianças precisam saber e definir-se logo cedo.

Aquilo já estava virando uma verdadeira quebra de braço entre Rafael e sua mãe, não tivesse ela muita paciência e ele, pouca idade - algo em torno de sete anos - e seus insistentes argumentos tentando convencê-la a deixá-lo sair com a turma do condomínio assim que chegou a noite de halloween para assustar por aí e, preferencialmente ganhar doces.

Seus argumentos teriam prevalecido, pois faziam muito sentido...

Esperto, Rafael saiu-se com essa: “ora, mãe: mas bruxas, vampiros, múmias... nem existem. Como é que Deus vai contra algo que não existe”?!

Mais valeu A LEI DE MÃE em casa, com pulso firme: “não e não. E pronto”!

Resultado: Rafa não foi e ficou bem chateado.

Mas nada que o amor e a explicação dos pais mais adiante não conquistassem de novo o bom ambiente que sempre reinou.

Quando ouvi essa história infantil, não tive como não rir e impressionar-me com a esperteza das crianças. E quando elas querem algo, possam ter certeza que os argumentos fluirão e serão capazes de desmontar adultos!

Uma linha muito tênue.

De fato, Rafael de sete anos tem razão: múmias andantes, vampiros da meia-noite, bruxas voando em vassouras não existem, então, por que se preocupar?

Que mal há?

Personagens do folclore e da mitologia, definitivamente não existem.

Não são criaturas reais.

Realmente, múmias foram pessoas que já morreram e estão lá nas catacumbas, nos sarcófagos - tantas lá para os lados do Egito, enfaixadas, se é que ainda sobrou algo delas, a não ser o pó.

Vampiros, se existem, são apenas identificados como morcegos mas esses ‘não viram gente’ e existem só como animais na natureza, mesmo.

E bruxas voando em vassouras, nada disso.

Se folclore e simplesmente como folclore fosse, Rafael teria razão, pois tais criaturas do halloween não passam mesmo disso, em suas aparências, maquiagens e pinturas.

Porém o argumento do menino esperto para a idade e que só queria mesmo era se divertir e ganhar alguns doces tem algo de capcioso, mesmo que ele não percebesse e disso nem se desse conta.

Já,já, veremos sobre isso.

 C.S. Lewis foi claro quando disse algo a respeito de bruxas (aliás, nem era este o seu comentário principal), aquelas pessoas que eram vistas como tais e queimadas nas fogueiras durante a Idade Média, acusadas de serem invocadoras do mal, participantes e praticantes de coisas horripilantes a tal ponto, que prejudicavam vidas.

Disse Lewis:

“...Algumas palavras antes de terminar: conheci pessoas que exageraram essas diferenças [entre o certo e o errado], por terem confundido as diferenças morais com as meras diferenças de crença a respeito dos fatos. Por exemplo, um homem me perguntou certa vez: ‘Trezentos anos atrás, as bruxas na Inglaterra eram queimadas na fogueira. É isso que você chama de Regra da Natureza Humana ou de Boa Conduta?’ Mas é claro que a razão pela qual não se executam mais bruxas hoje em dia é que não acreditamos que elas existam. Se acreditássemos — se realmente pensássemos que existem pessoas entre nós que venderam a alma para o diabo, receberam em troca poderes sobrenaturais e usaram esses poderes para matar ou enlouquecer os vizinhos, ou para provocar calamidades naturais —, certamente concordaríamos que, se alguém merecesse a pena de morte, seriam essas sórdidas traidoras”. Não há aqui uma diferença de princípios morais, apenas de enfoque dos fatos. Pode ser que o fato de não acreditarmos em bruxas seja um grande avanço do conhecimento, mas não existe avanço moral algum em deixar de executá-las quando pensamos que elas não existem. Não consideraríamos misericordioso um homem que não armasse ratoeiras por não acreditar que houvesse ratos na casa[1].

A partir daqui atenho-me a um ponto, um único ponto (eu, Jáder):

Bruxas como mulheres horrendas e poderes terríveis, que envenenam maçãs e as dão a mocinhas indefesas, sim, criaturas cruéis que falam com espelhos e preparam maçãs envenenadas em um caldeirão fedorento fumegando tons de verde-musgo... bem, se você acusar alguém disso, com certeza estará precisando mais é de um psiquiatra.

Não existem pessoas assim, com tais poderes inerentes.

Mas em se tratando de halloween e todos os seus incrementos, existe sim alguém por trás “do que não existe” (por isso, há do que se preocupar com este sórdido e aproveitador 'alguém'), do que é montado e apresentado como “simples brincadeira” outonal norte-americana.

Se duendes e poções mágicas não existem como contos e coisas do folclore imaginativo das pessoas, o Mal entre nós, por conseguinte, existe e ele é bem real.

Sim, há um ser das trevas que em sua muita malignidade pode aproveitar-se de toda e qualquer brecha que houver ou lhe derem (vide, Efésios 4.27).

Novamente e mais precisamente nesse trecho das palavras de Lewis podemos utilizá-lo para destacar o ponto principal do nosso argumento:

“...se realmente pensássemos que existem pessoas entre nós que venderam a alma para o diabo, receberam em troca poderes sobrenaturais e usaram esses poderes para matar ou enlouquecer os vizinhos, ou para provocar calamidades naturais — certamente concordaríamos que, se alguém merecesse a pena de morte, seriam essas sórdidas traidoras”.

Não passo a referir-me a pessoas com tais poderes[2] mas a um ser que pode sim utilizar-se dos poderes sobrenaturais que tem para matar ou enlouquecer pessoas e que pode valer-se de brechas para penetrar e para atuar a curto, médio e longo prazo; para agir como e quando lhe for conveniente.

O que Lewis destacou como sendo capaz de julgamento a pessoas - se assim houvessem [bruxas, neste sentido hollywoodiano] - este ser das trevas chamado Satanás ou diabo, tem esta capacidade e dela faz uso.

Ele procura matar, roubar e destruir (João 10.10; 8.44).

E “uma brincadeira” pode lhe ser muito útil. Uma porta aberta pode lhe ser muito favorável, pois ladrão da alegria que é, e destruidor da paz que sempre intenta ser, Satanás não desperdiçará oportunidades. E quanto mais se descuidarem dele, como um ladrão esperto, ele se valerá disso. E muito!

A capciosidade do pequeno Rafael à qual me referi sem que ele nem se apercebesse, é mesmo uma das formas de o Diabo agir, pois deseja que a maioria das pessoas pense dessa forma: que não há mal algum, que halloween é só uma brincadeira; que não existe problema algum nesse tipo de diversão. 

...Que tudo não passa de uma festinha de fantasias, pois nada daquilo realmente existe: duendes, múmias, bruxas (em tempo: note que Rafael não falou que ‘o diabo não existe’. Seu argumento para tentar convencer a mãe foi meramente racional e estava correto em seu princípio: múmias andantes e duendes saltitantes, não existem como tais).

E se pessoas rapidamente descuidarem, muitos com o tempo até afirmarão que assim como múmias andantes e bruxas do imaginário popular, o Diabo também não existe!

Isso é tudo o que ele quer, pois que grande vantagem alcançará com isso.

Baixe-se a guarda sobre isto e ele lhe acertará em cheio!

Acostume-se com isso e você estará descuidando da sua dependência de Deus contra o Inimigo, logo cedo na vida.

Permitir que seu filho pequeno participe desse tipo de festa não significará que você o ama, antes pelo contrário: é porque você o ama, que você não lhe permite brincar com isso e “com essas coisas”, pois sabe que o sobrenatural é real e que há ordens bíblicas explícitas que devem ser obedecidas na Palavra de Deus e nunca – nunca mesmo – questionadas.

A Bíblia não fala muito sobre os seres das trevas, como e quando eles surgiram.

Só fala que eles existem e que estão por ai ativos e destemidos em seus ataques.

Que eles existem e atracam de diversas formas, sendo a sutileza um de seus ardis mais preferidos, pois, descuidados e avançando em terreno inimigo, é tudo o que eles mais querem e anseiam.

Como são os demônios?

A Bíblia diz que as coisas encobertas pertencem ao Senhor (Deuteronômio 29.29), mas que as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para que observemos à risca!

E o que temos revelado nas Sagradas Escrituras já nos são mais do que suficientes para nos afastarmos e nem sequer cogitarmos brincar com algo que em a ver com o mundo sobrenatural das trevas.

A seguir apresentamos uma série de versículos bíblicos que podem auxiliar-nos como pais e professores de Escola Bíblica Dominical; pastores, etc., em uma conversa santa e séria com as nossas crianças sobre o que se deve evitar, nem que seja “por brincadeira”, lembrando-nos a Palavra de Deus que sempre devemos NOS ABSTER DE TODA A APARÊNCIA DO MAL (1 Tessalonicenses 5.22).

Deus destruiu as nações pagãs que estavam em volta de Israel por causa dos seus atos de iniquidade e de impiedade, o que incluía  também as artes mágicas, encantamentos e invocações a seres espirituais e a espíritos de mortos, o quer Deus definitivamente proíbe.

E se ele proíbe e no halloween tem exatamente essas coisas todas na ‘base da brincadeira’, o crente deve evitá-las também. Nem mesmo por brincadeira podemos cogitar sobre algo que Deus viu, proibiu, puniu e agiu.

Lemos claramente que Deus estava para punir com destruição todas as nações à volta de Israel por causa de suas impiedades, entre elas as práticas de magias, feitiçarias e invocações a espíritos dos mortos.

Iniciemos com o livro de Deuteronômio.

E por que Deuteronômio? Porque trata-se de uma nova geração de pessoas em Israel, visto que da primeira leva que deixou o Egito, praticamente todos se contaminaram, se envolveram e praticaram as coisas abomináveis que Deus explicitamente lhes proibira e que eles ousaram fazer e por causa disso – dessa atitude de rebeldia – morreram no deserto sem entrar na terra prometida.

Sim, Deus puniu com destruição as nações pagãs à volta.

Deuteronômio 9:3,4 - “Sabe, pois, hoje que o Senhor teu Deus, que passa adiante de ti, é um fogo consumidor, que os destruirá, e os derrubará de diante de ti; e tu os lançarás fora, e cedo os desfarás, como o Senhor te tem falado. Quando, pois, o Senhor teu Deus os lançar fora de diante de ti, não fales no teu coração, dizendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir; porque pela impiedade destas nações é que o Senhor as lança fora de diante de ti.

Ninguém do povo de Deus deveria sequer pensar em aprender as coisas erradas e pagãs que aquelas nações realizavam.

Deuteronômio 18:9“Quando entrares na terra que O SENHOR  teu Deus, te concede, não aprendas a imitar as abominações praticadas por aquelas nações”.

Por um acaso, seria diferente este princípio santo de Deus, hoje?

O povo de Deus deveria aprender a reverenciar a Deus continuamente e isto deveria ser demonstrado em ações de obediência aos Mandamentos de Deus, gratidão e distanciamento de práticas pagãs.

Deuteronômio 14:23  - “Diante do SENHOR teu Deus, no local que Ele houver escolhido para aí fazer habitar o seu Nome, comerás o dízimo do teu cereal, do trigo, do vinho novo e do melhor azeite, e a primeira cria de todos os teus rebanhos, a fim de que aprendas continuamente a amar reverentemente ao SENHOR, o teu Deus”.

Assim, apresentemos logo aos nosso filhos pequenos que tem coisas que nos são lícitas (brincar) mas que não nos convêm, como um povo que conhece a Deus e o Ama e obedece. Que podem chamar de brincadeira o que, na realidade, nunca foi, aos olhos de Deus. E se é pra gente fugir ou livrar-se da aparência do mal, isso nunca nos permite sequer "chegar perto". Por prudência e por sabedoria, logo cedo iniciada.
Na passagem bíblica referida o texto em grego está: eidos (forma, tipo) apexesthe. Este último termo é um IMPERATIVO. Diz claramente: EVITE. Mantenha-se AFASTADO.



[1] Cristianismo Puro e Simples, Página 20 da edição impressa por Martins Fontes.

[2] Apesar que jamais descarto que existam pessoas que procurem por tais poderes e sirvam aos demônios através de múltiplas atividades religiosas místicas, pois não ignoro as religiões do demônio e seus muitos seguidores humanos.

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