Dá para assistir Anne with an e? Não dá para assistir... é para parar de assistir?

DA NECESSIDADE QUE O MUNDO TEM DE CONTAMINAR O QUE É BELO.

Atenção: para quem não assistiu a série ainda, informações aqui contidas poderão ser vistas como spoilers.

O artigo tem por finalidade abordar questões que foram levantadas na série ANNE WITH AN E da NETFLIX, analisadas à luz dos padrões da Palavra de Deus e como um auxílio para pais que desejarem assistir com seus filhos menores.

Se não quiser saber, não prossiga com a leitura.

I. INTRODUÇÃO.

Escrevo para um público cristão e como alguém ligado a assuntos da Infância da Família, sabendo que milhões de crianças poderão desenvolver interesse pela série, que é realmente cativante e envolvente.
Cumpre-nos o dever de informar algumas temáticas existentes na mesma, principalmente para pais de crianças menores, que desejarem assistir ou que, se iniciada a primeira temporada em família, tomarem conhecimento do que irão encontrar ao continuarem assistindo.
Mas, o que tem em Anne With an e que mereça tais considerações?

Informações gerais:

1) Na página de acesso encontra-se a classificação etária: 12 anos. Justificativa: drogas legalizadas (álcool) e temas sensíveis.
2) Trata-se de uma releitura de livros infanto-juvenis escritos no início do Século XX pela escritora Lucy Maud Montgomery. A série da Netflix é uma adaptação livre, portanto, incluindo na trama questões e situações que não estão originalmente nos textos.

A. DO SUCESSO DE ANNE DE GREEN GABLES E DA SÉRIE ANNE COM E NA NETFLIX.

A agora mudialmente famosa história de Anne de Green Gables, conquistou de vez o Brasil graças principalmente à sua presença na plataforma e já é sem dúvidas uma das campeãs de acessos entre as seis mais procuradas no serviço de streaming de vídeos.

A cativante Anne dos escritos de Lucy Maud Montegomery.

Trata-se de um conto canadense, que se passa na Ilha do Príncipe Eduardo, uma as províncias daquele pais.  Graças a habilidade e dinâmica da escrita, quem lê as primeiras páginas do livro imediatamente sente-se capturado e não deseja parar. Anne de Gren Gables como leitura é envolvente, emocionante e, claro, cativante. Com a série da NETFLIX não seria outra coisa e já nos primeiros episódios o público estará fascinado.


Da criadora de Anne e da sua época. Lucy Maud Montegomery é provavelmente a mais famosa escritora canadense. Nascida em Clifton, na própria Ilha do Príncipe Eduardo, em 1874, a Sra. Montgomery escreveu vários textos, romances e novelas, tendo seus escritos a sua querida Ilha como cenário e ambiente. Descendente de escoceses que migraram para a parte britânica canadense, Maud, como era tratada por familiares e amigos, recebeu sólida formação presbiteriana, vindo a casar-se com um ministro desta denominação (Rev. Ewan Macdonald). O casal teve três filhos, dos quais apenas dois sobreviveram.

Como destacada escritora, L.M. Montgomery (como assinava as suas obras), começando em 1897, teve seus contos publicados em diversas revistas e jornais, com mais de 100 histórias publicadas entre 1897 e 1907. Escreveu dezenas de romances editados em forma de livros, sendo as histórias da órfã ruiva Anne, disparadamente, o seu maior sucesso literário. 

Anne de Green Gables. Primeiros livros - O primeiro livro foi lançado em 1908 e aborda a vida da menina com a idade de 13 a 16 anos. Na sequência e por etapas da idade, dez anos se passaram até sair seu último livro sobre Anne, já na fase adulta e com 53 anos.  As três temporadas da série da Netflix concentram-se em Anne menina-moça e seus primeiros anos de juventude, de seus 13 a 18 anos.

Um estrondoso sucesso.

De 1908 em diante, traduções começaram a surgir imediatamente, em sueco, holandês... as histórias de Anne tornaram-se extremamente populares  no Japão e os habitantes daquele país integram o grupo dos maiores visitadores da Ilha do Príncipe Eduardo, onde existe um museu e também diversas caracterizações estilísticas da época dos contos da Anne.A menina ruiva e sardenta conquistou tanta gente, que  logo cedo o cinema interessou-se em apresentá-la, ainda nos tempos do Cinema Mudo. Há filmes e produções televisivas também, antes de Anne ser mostrada através da NETFLIX. A Rede Canadense de Televisão detém os direitos de produção.


Seus livros no Brasil. Os livros  são até recentes por aqui e graças ao sucesso da série o interesse na publicação aumentou bastante, estando todos os escritos praticamente traduzidos. E por ser considerada obra de domínio público, os textos em Português foram lançados por diversas editoras. Um livro recebeu o título de “Anne dos cabelos ruivos” mas a maioria das editoras mantêm os títulos em série: 

    style=width:

                  Anne de Green Gables (1908) - dos 13 aos 16 anos; 
                  Anne de Avonlea (1909) - dos 16 aos 18; .
                  Anne da Ilha (1915) - dos 18 aos 22 anos; 
                  Anne de Windy Poplars (1936) - dos 22 aos 25 anos; Anne e a Casa dos Sonhos (1917) - dos 25 aos 27 anos;
                   Anne de Ingleside (1939) - dos 34 aos 40; 
                  Vale do Arco-íris (1919) - dos 41 aos 43;
                  Rilla de Ingleside (1921) - dos 49 aos 53.

                  B.  DA SÉRIE ANNE WITH AN E DA NETFLIX.

                  A Diretora Moira Walley-Beckett e sua equipe realizaram um magnífico trabalho e não é à toa que Anne with an e foi premiadíssima.

                  Uma magistral, encantadora e cativante série.

                  Tudo é perfeito: fotografia, ambientação, figurino, atores, música... tudo! Quem assiste deslumbra-se e praticamente em cada episódio torna-se difícil não se chegar às lagrimas, às belas lágrimas que poderiam ser ditas que são “daquelas de lavar a alma”. Quem aprecia os detalhes de um trabalho cinematográfico de qualidade ficará realmente satisfeito e encantado. Quem gosta de uma boa história, idem.

                  C. ALTERAÇÕES QUE NÃO PASSAM DESAPERCEBIDAS.

                  Por tratar-se de uma releitura com direito à adaptações livres, assuntos e temas que não foram jamais tratados e levantados pela Sra. Montgomery. São incluídos e abordados pela Diretora Beckett, entre eles o homossexualismo e também nuances de Feminismo.

                  Questões que vão contra os padrões bíblicos em Anne with an e.

                  Temporada 1 - Cativante, envolvente, sensível, bela, emocionante. A primeira temporada lhe prende! começarão a surgir, no entanto, sutis insinuações sobre homossexualidade. Nada aberto ainda, mas já apontando para o que poderá vir e irá ocorrer nas próximas temporadas.
                  Temporada 2 - Aumentarão os conflitos internos de um rapaz quanto à sua sexualidade e haverá a revelação de uma união homossexual feminina. Os episódios sobre A FESTA DE JOSEPHINE serão definidores e a partir daí o rapaz descobrirá 'a sua opção'. Alguns personagens de ocasião serão nitidamente apresentados como homossexuais e muitos diálogos serão em defesa e apoio a tal prática e estilo de vida.
                  Temporada 3 - Além do rapaz apresentar-se abertamente como homossexual, terá todos os trejeitos. Algumas falas e expressões no tratamentos de Anne com pessoas mais velhas e até mesmo com seus pais adotivos terão formas ríspidas e intempestivas e o Feminismo, como nos moldes atuais, poderá ser percebido.

                  Era L. M. Montgomery feminista?

                  Como autora antenada com sua época, movimentos em busca dos direitos das mulheres já existiam, entre eles o movimento sufragista, que era a luta pelo direito feminino ao voto e também questões sobre a carreira e o estudo das mulheres, que recebiam tratamento desigual e até mesmo, desumano da parte de muitos homens. Em diversos momentos a Sra. Montgomery trata de questões relevantes, até mesmo por ter ela sofrido nas mãos de editores inescrupulosos que a enganaram quanto a direitos de filmagens e outros contratos envolvendo sua mais famosa personagem, precisando recorrer a longas e cansativas batalhas judiciais.

                  Tratar do direito dos mulheres como a Sra. Montgomery fez  é bem diferente do Movimento Feminista Moderno. Podemos bem dizer que a Anne dos livros é uma menina-moça ativa, sem ser ativista. Ela luta pelo que é certo. Na série, é mostrada algumas vezes como uma espécie de ativista feminista precoce.

                  D. DÁ PARA SE ASSISTIR ANNE WITH AN E EM FAMÍLIA?

                  Considerações positivas.
                  1. A história é realmente linda.
                  2Cada episódio é envolvente e belo.
                  3. Se fosse possível mensurar, poderíamos dizer que em 90% a série é fiel ou muito próxima mesmo dos originais.
                  4. Há muitas lições que podem ser aprendidas quanto ao perdão, reconciliação, família, amor, respeito, amizade, auto-imagem, solidariedade, honra... enfim, várias questões da vida que foram muito bem apresentadas, como estão nos textos originais.
                  5. Diálogos e conversas proveitosas poderão ter início e seus bons avanços em família.
                  6A  coragem de Anne e de seus amigos e o desejo por defender a verdade e a justiça;
                  7. A linda curiosidade, ingenuidade e leveza da Anne;
                  8. O respeito devido a pessoas (negros e índios).
                  9. As desigualdades sociais e as formas de tratamento. Maneiras e modos de se considerar as pessoas.
                  10. A crueza e até crueldade de uma religiosidade dominante e totalmente distante dos padrões de Deus;
                  11Questões diversas de empatia e simpatia;
                  12.O despertar do gosto por algo mais refinado e por uma boa obra em todos os aspectos, em se tratando de filmagens, séries, filmes, narrativas e narrações.
                  13. O despertar do amor, da paixão e da descoberta da sexualidade entre rapazes e moças no momento da puberdade;
                  14. As inseguranças típicas da idade... ações e reações positivas no trato com as mesmas;
                  15. Reflexões internas intensas e profundas com certeza surgirão na mente de quem assistir

                  Considerações Negativas.
                  1. Muito do que já comentamos acima e também maneiras, formas e modos que podem promover constrangimentos em família.
                  2. As desnecessárias cenas que envolvem homossexualismo, até com flertes;
                  3. A descaracterização da masculinidade do rapaz;
                  4. Os diálogos apologéticos à homossexualidade.
                  5. A religião e seus representantes sendo mostrada grosseiramente e até de maneira pejorativa, na maioria das vezes;
                  6. A maneira de Anne ser apresentada em algumas situações, mais como uma ativista do feminismo.
                  7. A comemoração da aprovação dos alunos nos exames finais preparatórios para a faculdade ocorre uma noite inteira, sem a participação de adultos e com a presença de álcool. Adolescentes bebem para comemorar.
                  8. Algumas maneiras como Anne se irrita. Nos livros pode-se ver mais uma reação natural infantil de raiva e de explosões indignadas (que logo são tratadas) e a forma mais dura e agressiva como ela dirige-se às pessoas e até mesmo aos pais adotivos, algo que quem lê os textos e vê a série, entenderá melhor a diferença que aponto.

                  Dá para se assistir a série em família, sim.

                  Percebida a faixa etária: 12 anos e as informações de conteúdo:

                  1. Os pais conhecem seus filhos e são eles quem decidem em tudo o que devam assistir em suas casas. Infelizmente, muitos pais perderam totalmente o controle aqui e séries, filmes, livros com conteúdo inapropriados e até sujos, apelativos, depreciativos têm invadido muitos lares. Cabe aos pais a orientação e condução do lar.
                   
                  2. Anne with an e tem partes e momentos excelentes e brilhantes – na maioria das vezes, sim. Infelizmente os assuntos que já tratamos aqui não são mais desconhecidos de meninos e meninas de 12 anos em diante. Infelizmente. Se os pois decidirem que dá para assistir e assistirem, nesses momentos e partes, três atitudes poderão ser tomadas.


                  a) Informar que quando não for devido à família, essas partes ou episódios serão puladas.
                   
                  b) Se assistirem integralmente, uma oportunidade para se reforçar princípios poderão ser reforçadas. Com base em 1 Co 6.12, os filhos mesmos poderão desenvolver este sadio hábito de pular, não ver, por princípios de que “não edificam” e passarem a fazer isso sempre e em tudo o que assistirem: percebendo que não edifica, distorce o que é bom e belo, pular ou até mesmo, desligar.
                   
                  c) Se assistirem integralmente oportunidades para conceitos devidos e valores reais poderão ser discutidos à luz da Palavra de Deus.

                  E para os casos de outras séries ou filmes com cenas indevidas, tomar-se sempre a atitude de pular ou mesmo, de desligar; evitar. Passar a ver cenas apelativas e diálogos corrosivos, podem perverter o coração e isso sim, deve ser evitado. No caso da série Anne with an e, como dissemos, são algumas partes e podem ser administradas.


                  Não dá para assistir a série em família, não.
                  2. Se acharem que não se deva assistir, que não se assista.
                  3. Terrível coisa será se, começando a assistir, resolver interromper de vez.  Resolveu-se um problema, criando vários...

                  Se vocês têm crianças menores e mesmo assim quiser assistir, poderão passar por embaraços e desconfortos, até porque crianças menores não conseguem expressar melhor o que sentem, podem não conseguir elaborar perguntas, ou perceber, ou filtrar o que vê, como um pré-adolescente ou adolescente, por exemplo.. Não estou dizendo que a partir de 12 anos “se consegue”, pois o relógio natural do amadurecimento não corresponde ao cronológico. Mais uma vez, enfatizo: compete à autoridade, conhecimento e sabedoria dos pais a ação. E se ainda alguns julgarem que seus filhos menores podem assistir, que vejam todas as suas áreas de responsabilidade, diante de Deus e dos homens.
                  Por causa das incursões desnecessárias, muitos pais que não sabiam e começaram a assistir, passaram grandes constrangimento e não são poucos os textos e comentários na internet sobre isso.

                  1. Todo pai, toda mãe tem a autoridade de dizer não.

                  É uma pena que...

                  É uma pena que o belo tem que ser contaminado! Mentes e mentalidades sem nenhum temor de Deus parecem sentir a necessidade de espalhar uma espécie de óleo de suas vontades para prejudicar todo um belo ecossistema e a Epístola aos Romanos capítulo 1, versos 18 e seguintes, retratam muito bem isso. A história e tramas na série poderia ter transcorrido sem tais “incursões da modernidade que precisa escancarar suas vontades e ideais, até”, sem nenhum prejuízo à série Algo que poderia ter o selo de LIVRE, se apenas seguisse o roteiro dos livros, seria mais um favor às famílias com todas as idades, pois andamos necessitando mesmo de filmes, histórias e séries que sejam simples, belas, sensíveis e que tenham o que dizer. E as Histórias da Anne tem. E MUITO.

                  E. CONCLUSÃO: O QUE DÁ PARA SE FAZER?  

                  Enfim, assistir ou não assistir? Com este simples artigo não encerramos a questão. Convocamos para uma reflexão e que cada pai, cada mãe, veja prudentemente como agir. Que a boa consciência e não decisões abruptas com gestos da impulsividade, apenas, marquem as decisões.

                  Para todos, no entanto, INCENTIVO a leitura dos livros, pois ler faz bem E LER EM FAMÍLIA, que hábito que...
                  ...ou perdemos ou nunca ganhamos!

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